O avanço da tecnologia nacional de proteção balística

Por: Victor Gallo

tecnologia nacional A proteção de vidas no contexto de defesa e segurança pública exige equipamentos de alta tecnologia que garantam tanto segurança quanto mobilidade e baixos pesos. Em cenários táticos cada vez mais complexos, os coletes balísticos são indispensáveis para resistir a ameaças diretas, como disparos e estilhaços.

O mercado global de proteção balística tem crescido de forma consistente. Entre 2018 e 2022, consumiu de US$ 13,6 bilhões para US$ 14,3 bilhões, com os coletes balísticos representando uma fatia significativa desse  total. Para os próximos anos, a expectativa é de um crescimento anual de 7,4%, com projeção de dobrar os investimentos até 2033.

No Brasil, o avanço na fabricação de coletes e escudos balísticos representa um marco significativo, tanto em evolução tecnológica quanto em relação à autonomia de abastecimento do mercado interno e atendimento às necessidades específicas de nossas forças. A Base Industrial de Defesa e Segurança, para fabricação de coletes e escudos balísticos, não apenas reduz a dependência de importações, mas também fortalece nossa soberania e coloca o País em posição de destaque no setor que, historicamente, tem sido dominado por “players” globais em todo o mundo.

O foco na inovação tem permitido o desenvolvimento de materiais avançados e designs mais eficientes, que garantem proteção máxima sem comprometer a mobilidade do agente, proporcionando baixos pesos e robustez na resistência balística acima das exigências normativas.

Essa combinação de segurança e mobilidade é essencial para que os profissionais possam atuar com mais eficácia, mesmo em áreas urbanas densas ou em situações de alto
risco. Junto a isso, os laboratórios de testes balísticos independentes, são fundamentais para assegurar que todos os produtos atendam a um escopo rigoroso de normas, validando a eficiência e a confiabilidade de cada projeto, garantindo controle de qualidade, rastreabilidade e acima de tudo a confiança para o usuário. A personalização desses equipamentos também é um aspecto fundamental.

As forças de segurança brasileiras possuem diferentes necessidades e, portanto, demandam proteções balísticas adaptadas às especificidades de suas operações. A indústria nacional tem se destacado por ser capaz de atender essas demandas, produzindo equipamentos que são, além de eficazes, ajustados às realidades locais.

Os investimentos em Inovação, P&D e no aprimoramento e qualificação de laboratórios de testes, em parceria com instituições de ensino e centros de pesquisa, devem ser constantes. Isso não apenas favorece a produção de materiais inovadores, mas também impulsiona a formação de profissionais qualificados e o fortalecimento de uma cadeia de valor essencial para a economia. A autonomia na produção de equipamentos balísticos também confere resiliência ao Brasil, principalmente em tempos de incertezas globais. A pandemia de covid-19 evidenciou a fragilidade das cadeias de suprimento, mostrando a necessidade de fortalecer nossa capacidade de produzir internamente, evitando dependência externa, que, em momentos de crise, priorizam suas próprias demandas.

Hoje, a indústria de proteção balística no Brasil está diante de uma demanda crescente por equipamentos mais sustentáveis. A inovação tecnológica tem permitido o desenvolvimento de coletes mais leves e sustentáveis, sem perder a eficiência em termos de proteção balística. Materiais como as fibras de aramida e polietileno, por exemplo, estão substituindo a cerâmica, tornando os coletes mais eficientes e leves, enquanto mantêm a resistência a impactos de acordo com os mais rigorosos padrões internacionais, como os estabelecidos pelo National Institute of Justice (NIJ).

Victor Gallo é CEO do Grupo Protecta e presidente do Comitê de Segurança da ABIMDE

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